3 de abr de 2011

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Tente, diziam. Cuide. Sinta. Sorria. Divirta-se sempre. Não desista. Levante-se. Não tem problema demonstrar seus sentimentos, repetiam. Solte-se. Voe. Vibre. Faça o que quiser. Não pense muito sobre tudo. Derrube esses muros que te cercam, pediam. Deixe o coração levá-la aonde quer realmente ir. Retire esse peso dos seus ombros. Viva o presente. Seja intensa. Mostre que você se importa, murmuravam. Ria de qualquer coisa. Não brigue. Não lute por causas perdidas. Ignore, o mundo é mesmo injusto. Por que você simplesmente não deixa ser?, perguntavam. Por que odeia surpresas? Onde está aquela menininha que você foi? Sinto falta dela, reclamavam. Tente trazê-la de volta. Não seja tão insensível. Faça as pessoas à sua volta serem felizes. Sinta o mundo girar sem tentar segui-lo!, exclamavam. Não seja tão egoísta e cheia de si. Deixe o tempo agir. Reze. Acredite no que precisa acreditar. Contos de fadas são reais, brincavam. Espere o seu príncipe. E quando tiver certeza de tê-lo encontrado, nunca o deixe ir. Não procure respostas para todas as perguntas, sentenciavam. Procure pelas perguntas, mas chute de vez em quando. Não tenha tanta certeza do que diz. E, às vezes, por favor, não diga o que pensa; as pessoas não entendem isso direito.

Tudo bem, ela respondia simplesmente. E, algumas vezes, deixava o orgulho de lado para tentar seguir os conselhos que considerava mais sábios. Ah, menina boba, quis se curar de seus defeitos, ser toda perfeição. Escutou os outros lhe dizerem o que devia fazer e fez. Mas e o conselho mais importante do mundo, o único conselho que as pessoas deveriam realmente dar umas às outras? – aquele que se resume a duas palavras, mas que quer dizer infinitas coisas! Só um “Seja feliz!” e pronto. Esse conselho simplesmente não lhe foi dado. E agora ela está aqui, sendo o que esperam que ela seja, mas sem sua essência, vivendo em contradições. Em ruínas por ter que sorrir.

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso.
Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."
(Clarice Lispector)

9 comentários:

Eduarda Kohls disse...

Realmente tentamos ser perfeitos e nos dizem para sermos perfeitos, mas não nos mandam ser feliz. E de que adianta ser perfeito sem felicidade? O que qualquer coisa adianta sem felicidade? Nada! O mais importante é a felicidade. É por ela que temos de mudar e lutar, mesmo que às vezes ela esteja a um passo de nós, sem se quer a notamos.
Um Beijo.

Ana Stiehl disse...

Exatamente! =)

Maiara disse...

Quando se é feliz de verdade todo o resto vira consequência. ^^

E esse seu texto remete reflexões sobre viver a margem de outras pessoas, viver sendo moldada por outros e não por si só. Muito interessante.

Beijo.

Jaynne Santos disse...

Bem, está aí um dos maiores abismos onde se pode cair. O abismo das influências que só nos arrastam por caminhos de pegadas feitas com formúlas matemáticas da boa convivência. Perder a essência é se perder de si mesmo. E acredito que quando nos perdemos de nós mesmos deixamos de sermos seres humanos e passamos a ser máquinas manipuladas para a felicidade dos outros e não pelas nossas.

Grande beijo;

Ana Stiehl disse...

Obrigada por comentarem, meninas. Voltem sempre! =)

Amália disse...

Primitcha, adorei o teu texto.
A perfeição é muito chata. São os nossos defeitos que nos tornam únicos. Bjussssss

Ana Stiehl disse...

Obrigaaada prima! =)

Nati Colchoc disse...

Adorei o texto, definitivamente algo para se refletir um 'seja feliz' resumiria tudo, mas nós, seres humanos sempre queremos ser mais e mais, buscando uma perfeição que não existe. Loucura né?!

Bgs:*

Ana Stiehl disse...

Obrigada Nati, volte sempre. =)