28 de dez de 2011

Por que não?


Sabe, às vezes penso em como as coisas podem ser. Por que não? Por que não podemos ficar juntos, diminuir os problemas, acabar com esse aperto, sorrir simplesmente? Então eu lembro das palavras que você usa pra me definir, de como você vive se importando com os meus problemas ou de como eu me sinto linda quando você fala de mim. Por que, meu deus, por que não? Por que não podemos nos encontrar, esquecer o passado, viver a vida real, como ela é? Daí eu me recordo, no entanto, que alguém como eu, que conhece alguém como você, sabe que alguém como você não diz palavras bonitas para uma só pessoa. Alguém como eu não pode ser enganado assim, tão facilmente. Por que não podemos ficar juntos? Porque eu te conheço. E, te conhecendo, nem quero que fiquemos juntos, mesmo. Nem quero que dê certo, nem quero ficar cega, ignorar os problemas ou esse maldito aperto. Não quero sorrir ingenuamente para você enquanto poderia sorrir para mim mesma, sincera, mesmo magoada, sem trair meus ideais. Não podemos nos encontrar, mesmo que estejamos lado a lado, porque você nunca vai saber quem sou eu de verdade. Não precisamos esquecer o passado porque o passado nunca importou, mas o presente importa, e o presente é de mau gosto. Na vida real, pessoas como você não merecem pessoas como eu. Na vida real, pessoas como eu não acreditam em pessoas como você. Na vida real, somos opostos. E continuaremos sendo opostos sempre, porque eu tenho aquela ânsia de poder confiar nas pessoas que me cercam, e você tem aquela mania irritante de me decepcionar. Por que não? Você sabe... porque não. Simplesmente não, inevitavelmente não.


Foto por ^DemonMathiel em deviantart.com

25 de dez de 2011

Sinto muito

Sinto muito por sentir de menos ou demonstrar de menos. Sinto pelas crianças que morrem todos os dias, por esse mundo imperfeito, pelas maldades e atrocidades cometidas por nós. Sinto muito pelos sorrisos que não dei, pelas palavras que feriram e pelas vezes que fingi não me importar. Desculpe-me pelas vezes que não soube retribuir o carinho que recebia, se meu olhar não foi suficientemente terno, se as palavras que eu disse mais cortaram do que ajudaram a cicatrizar. Sinto muito por não saber escolher as melhores frases nos melhores momentos, e sinto tanto por não poder acabar com todas as dores do mundo! Sinto muito pelas pessoas que se foram e pelas que ainda irão; sinto por mim, sinto por ser assim e, ainda mais, sinto por não querer deixar de ser imperfeita. Desculpe-me pela sinceridade, pela incapacidade de fingir ou por não notar que fui rude, insensível. E, acima de qualquer coisa, sinto muito por não ser quem você gostaria que eu fosse, sinto muito por não ser uma alegoria às princesas, insuportavelmente perfeitas. Sou essa alegoria às avessas, completamente perdida em minhas desculpas. Mas não sinto muito por isso. Só sinto muito, e muito mesmo, por estarmos longe de não sentir nada.