8 de fev de 2011

Não me perdi

Lembro como se fosse ontem. Eu queria crescer. Ainda escuto as pessoas me dizendo que, depois de uns anos, eu ia querer voltar no tempo e ser criança de novo. Não sabia que elas tinham razão. 

Eu sinto falta de como tudo era. De como os dias tinham o tamanho certo. A maior preocupação era encontrar alguém com quem brincar. Era fácil fazer amigos e muito difícil perdê-los, porque simplesmente não havia motivos. Os sorrisos eram muito mais sinceros e chegavam aos olhos. Não importava o que os outros pensavam, correr no meio da rua e rir de tudo era a coisa mais normal do mundo. A época em que a gente se vestia com qualquer trapo velho porque ninguém ligava para isso.

Eu sinto falta daquele tempo, onde as responsabilidades me intrigavam, e não assustavam. Onde um dia de sol significava brincar na rua e um dia de chuva significava brincar dentro de casa.
Eu queria poder voltar, viver tudo de novo, mas nunca seria a mesma coisa. Talvez a beleza do momento tenha sido vivê-lo sem saber que ele nunca mais voltaria. Talvez eu sinta falta de não ter ideia do futuro, de não saber o que quero, de não precisar me preocupar.
Foto por ~Romaeangel (deviantart.com)
Lamento ter perdido qualquer tempo daquela época querendo crescer. Crescer é chato. Muitas pessoas se perdem de si mesmas nesse processo. Não existem pessoas que não cresceram, mas existem aquelas que não aceitam quem se tornaram.

Ser criança não é só brincar, só fazer piada. É enxergar verdade nas pessoas, confiar, ver além do real, encontrar metáforas para cada simples aspecto da vida. Não é só fingir que uma barraca de lençol é um palácio, mas é contruir um reinado e um caráter para seus políticos. Não se derrota os monstros somente com uma espada brilhante; as crianças conseguem ver o que a faz brilhar. 

Quando digo que nunca quero perder a criança que fui, estou querendo dizer que pretendo enxergar sempre mais do que os olhos podem ver, encontrar motivos para sorrir quando todos quiserem chorar e lutar para contruir, ao redor de mim e onde mais for, o mundo onde quero viver.

Eu não me perdi no caminho e, ainda assim, encontro partes de mim aonde quer que vá.

4 comentários:

Anônimo disse...

Meu Deus.
Sério, sem hipocrisia de minha parte, mas este teu texto está maravilhoso.
Fez até eu me emocionar agora.
Me fez sentir falta da infância.
Parabéns mesmo pelo post.
Concordo em tudo.

Ana Stiehl disse...

E por que seria hipocrisia? O.o
Obrigada!

Carlos disse...

Acredito que o nosso maior desafio é resgatar o olhar ingênuo de criança que um dia tivemos. Crescemos muitas vezes para fora de nós e isto atrapalha muito.
Cada vez entendo mais porque escrever é para ti uma necessidade.
Escreva por favor. Teu blog esta nos meus favoritos.
Bjão.

Ana Stiehl disse...

Ahhh, obrigada Leser. Fico feliz que tenha gostado! :)
Volte sempre, beijos.