7 de ago de 2011

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‎"É como se a vida dissesse o seguinte:
e simplesmente não houvesse o seguinte.
Só os dois pontos à espera."
Clarice Lispector


Preencher o sentido dos dois pontos parece ser o motivo pelo qual vivemos. Quero que a vida me diga alguma coisa, quero que haja um sentido certo para acordar todos os dias. E eu digo tantas coisas à vida; crio um monólogo. Ela nunca responde. Cada dia que passa, em cada momento vivido, procuro palavras nas circunstâncias, nas coincidências, nas minhas próprias vontades, nas supostas verdades. Mesmo que sejam perguntas, ainda assim a vida parece querer dizer algo que nunca diz. Ela nunca dirá? Porque às vezes canso de tentar decifrar esses códigos bobos que não significam nada.

E quando tudo o que sinto é que falta algo, volto a procurar. Procuro, procuro até cansar, e de novo, e de novo. Nunca encontrei nada, nunca soube se a sensação que tenho é real ou se não passa da minha vontade imensa de entender o mundo. E parece que perco quando não entendo o que a vida quer me dizer. Ouço ela gritando e nada. E ainda assim ela segue frisando, aos berros, aqueles dois pontos que eu preciso entender; deve ser só para me provar a importância das minhas perguntas.

Pensando bem, poderiam ser pontos de exclamação, reticências, pontos de interrogação, vírgulas e até mesmo pontos finais. Mas são esses dois pontos que me matam: eles ilustram a possibilidade de ser qualquer coisa.

  

Um comentário:

Pedro Sombra disse...

O problema da vida é que ela é insignificante. Somos apenas seres que evoluímos até chegarmos aqui. Não adianta filosofar nem transformar a vida em poesia, no fim das contas, até as histórias de amor acabam quando a vida acaba. O que nos resta é aproveitá-la, engolir o clichê do "carpe diem" e pensar noutras bobagens que nos divirta.
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